Escolher onde trabalhar é mais importante do que o salário?

Podcast com Marta Alegria, HR Director, in iiRH

No mais recente episódio do podcast “Pessoas & Talento”, a People & Culture Director da Xpand IT falou sobre expectativas, cultura organizacional, liderança e os desafios de gerir talento num setor em permanente transformação.

Numa altura em que a inteligência artificial (IA) está a transformar o recrutamento, a pressão sobre a retenção continua elevada e as novas gerações exigem mais propósito, contexto e progressão, a Xpand IT acredita que o verdadeiro desafio já não está em contratar, mas em conseguir que as pessoas cresçam na organização e queiram lá ficar. Foi esta uma das ideias deixadas por Marta Alegria, People & Culture Director na Xpand IT, no mais recente episódio do podcast “Pessoas & Talento”.

Numa conversa conduzida por Cristina Martins de Barros, Fundadora do Instituto de Informação em Recursos Humanos e Diretora Editorial da RHmagazine, a responsável afirmou: “Vejo muitas pessoas muito bem preparadas para a entrevista e para o primeiro mês de trabalho, mas depois não tanto para o segundo mês”. Isto num contexto em que o volume de candidaturas aumentou significativamente na organização, impulsionado também pelas ferramentas de IA.

Ainda assim, “o nosso foco nunca foi na quantidade, sempre foi na qualidade”. “A nossa preocupação é de facto encontrar as pessoas que se adaptam melhor, que fazem o fit cultural, que é aquilo que nós defendemos”, fez questão de frisar.

Na adaptação ao contexto real de trabalho, os candidatos “começam a perceber que há desafios reais e que o trabalho exige empenho, exige dedicação e exige realmente uma aprendizagem constante”, sublinhou. E é aí que a empresa procura identificar determinadas características, como capacidade de aprendizagem, resiliência, autonomia e vontade de evoluir num ambiente exigente e altamente colaborativo. “Temos que procurar pessoas com resiliência, que conseguem reinventar-se e com capacidade de aprendizagem.”

"As pessoas não são só um headcount"

Com mais de 20 anos de atividade, presença internacional e acima de 300 colaboradores, a Xpand IT cresceu sem abdicar de uma lógica de proximidade entre liderança e equipas. “Uma coisa que não mudou foi a proximidade de quem lidera, quem toma decisões e de quem executa”, frisou Marta Alegria.

A cultura interna da empresa assenta, segundo a responsável, numa lógica de diálogo contínuo, colaboração e participação ativa das equipas técnicas nas decisões e soluções desenvolvidas para clientes. “Criamos uma cultura de diálogo, de colaboração, de proximidade, onde as pessoas não são só um headcount.”

Num setor onde autonomia e flexibilidade são muito valorizadas, Marta Alegria deixa um alerta: “Quem confunde a autonomia com falta de responsabilização” pode não encaixar na cultura. Na prática, a autonomia na Xpand IT é acompanhada por feedback constante, acompanhamento próximo e processos estruturados de onboarding e desenvolvimento. “Se um manager ou um colaborador chega num momento de avaliação formal e ouvem algo pela primeira vez, é porque falhámos na comunicação e na liderança.”

A empresa trabalha atualmente com ciclos contínuos de feedback, avaliações intercaladas e planos de desenvolvimento individual acompanhados tanto pelas chefias como pelas equipas de engagement.

Uma das ferramentas internas mais distintivas da empresa chama-se Culture Canvas. Trata-se de um mapeamento formal da cultura organizacional que define não apenas aquilo que a empresa valoriza, mas também aquilo que não aceita. “Os nossos valores não são palavras escritas no site. Têm imenso significado e ditam a forma como nós tomamos decisões.” Entre os valores destacados pela responsável estão a humildade, a colaboração e a capacidade de fazer perguntas.

A retenção começa antes da contratação

A Xpand IT acredita ainda que, “desde o momento zero, no contacto com o candidato, temos que saber falar sobre expectativas e temos que alinhar essas expectativas para um lado e para o outro”. A transparência sobre ritmo, exigência, autonomia e modelo de trabalho surge, assim, como uma das principais estratégias para evitar desalinhamentos futuros.

Outro dos pontos abordados no podcast foi a evolução das carreiras tecnológicas e os desafios da liderança em equipas altamente especializadas. Na Xpand IT, “não confundimos a liderança com a senioridade técnica”, sublinhou. A empresa permite que os profissionais escolham entre uma evolução técnica especializada ou uma transição para funções de gestão.

Já perto do final da conversa, Marta Alegria deixou uma mensagem dirigida aos jovens que estão agora a entrar no mercado de trabalho. “Estar confortável com o não saber” foi um dos conselhos deixados pela responsável, que defendeu uma maior valorização do contexto profissional face à compensação imediata. “Escolher bem o local onde trabalhamos, mais do que o salário que vamos ter. Principalmente nos primeiros anos, isso é que nos define enquanto profissionais”, rematou.

Leia o Artigo na íntegra e oiça o podcast aqui.

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