Artigo de Opinião de Nuno Barreto, Managing Partner da Xpand IT
Mesmo nos meses em que o calendário abranda, a informação estratégica continua a ser gerada, armazenada e, idealmente, analisada. A questão essencial que se coloca é: estará a sua organização a retirar valor real e estratégico dos dados que tem à sua disposição? O que é que os seus dados estão (ou não estão) a dizer sobre o seu negócio?
Muito dados, pouco valor: o paradoxo da maioria das empresas
A maioria das empresas afirma hoje ter uma cultura orientada aos dados. No entanto, na prática, é comum vermos decisões suportadas mais por intuição e perceções do que por análises rigorosas. Muitas organizações acumulam dashboards e relatórios, mas falham em criar uma cultura verdadeiramente “data-driven”. É importante que reconheçamos que existe uma diferença colossal entre recolher dados e tirar proveito destes para fornecerem informação relevante nos processos de decisão.
Esta dissociação entre dados disponíveis e decisões informadas representa um custo significativo em ineficiências, oportunidades desperdiçadas e riscos operacionais.
Verão: uma oportunidade estratégica para se olhar para o que importa
Os meses de verão oferecem algo raro para quem lidera: tempo. Tempo para pensar, observar e preparar decisões com mais visão e menos pressão do quotidiano. Assim, os líderes e as equipas de gestão podem (e devem) aproveitar este momento para reavaliar a maturidade da sua abordagem aos dados.
Na Xpand IT, costumamos sugerir às organizações com quem trabalhamos um conjunto de questões orientadoras, tais como:
- Os dados estão acessíveis, atualizados e estruturados para suportar eficazmente os principais processos de decisão?
- A empresa tem a capacidade analítica e tecnológica para transformar dados em insights acionáveis?
- A infraestrutura tecnológica está preparada para crescer com o apoio da cloud e da inteligência artificial?
- Existem indicadores claros sobre os desafios e oportunidades específicos do setor em que a empresa opera?
A Data Journey como ativo estratégico (e não como projeto técnico)
Os dados deixaram de ser apenas um recurso técnico para se tornarem um ativo estratégico. São hoje a base para decisões mais rápidas, eficientes e fundamentadas. Em áreas tão distintas como operações, experiência do consumidor, desenvolvimento de produto ou gestão financeira, esta é uma realidade que não pode ser deixada para trás nem esquecida.
Temos vindo a apoiar, ao longo de mais de 20 anos de atividade no setor tecnológico, empresas nacionais e internacionais na criação de soluções robustas para a gestão e valorização dos dados. Seja através da modernização da arquitetura, da definição e implementação de frameworks e aceleradores, que permitem estabelecer uma base sólida, ou da criação de visualizações relevantes e mecanismos de governança. Com o advento da inteligência artificial surgiu um novo leque de oportunidades para disponibilizar insights mais ricas no momento certo. Sendo que o nosso foco é sempre o mesmo: garantir impacto real no negócio.
No fundo, trabalhamos com organizações que sabem que a transformação digital não se faz apenas com tecnologia — mas com inteligência aplicada ao negócio. E todo este processo começa com dados.
Artigo original Jornal Económico.